Como escolher com segurança Suíça

Que garantia cobre um implante dentário colocado em Portugal?

Resposta curta

O Instituto AreLuna refere implantes com garantia, com uma durabilidade prevista superior a 20 anos. É uma expectativa de duração avançada pelo estabelecimento: nem um prazo contratual, nem uma afirmação sobre uma boca em particular, que depende de avaliação e diagnóstico individual prévios. O que a garantia cobre, por quanto tempo e o que a suspende pede-se por escrito antes da cirurgia, com, para quem mora na Suíça, mais uma linha a fazer constar: quem suporta a viagem se for preciso voltar.

§ 01

Três coisas com o mesmo nome

A palavra garantia serve para designar três coisas que não se devem confundir. A garantia do fabricante incide sobre a peça, o implante, e dá-se por sistema e por referência. O compromisso da clínica incide sobre o trabalho executado. E a durabilidade esperada de um material não é nem uma nem outra: é uma estimativa, útil para comparar, que não cria obrigação para ninguém.

Quem faz a pergunta quer normalmente conhecer a segunda. Ora, o segundo sentido remete para um documento: existe em papel, com os seus termos, ou não existe.

O que está publicado limita-se a isto: implantes com garantia e uma durabilidade prevista superior a 20 anos, que depende de avaliação e diagnóstico individual prévios. O que não está publicado é justamente o essencial: o prazo por componente, entre implante, pilar, coroa e prótese, o que cada um cobre, quem suporta que custo e em que circunstâncias a garantia deixa de valer. Estes termos não serão inventados aqui. Diz-se apenas que se pedem por escrito e se leem antes de assinar.

§ 02

A linha que conta quando se mora longe

É aqui que a pergunta muda de natureza para quem vive na Suíça romanda. O custo do ato é uma coisa; a viagem e a estadia de alguém que mora no outro extremo do continente são outra. Um ato repetido sem encargos, mas que obriga a apanhar outro voo e a gastar dias de férias, nem por isso é gratuito.

E nada vem amortecer essa viagem: o seguro de base praticamente não cobre os cuidados dentários, e a viagem não cabe em nenhuma cobertura desse lado. A pergunta «quem suporta o quê se for preciso voltar» não é, portanto, um pormenor de redação: é a linha que decide o que a garantia vale realmente, de Genebra ou do Valais.

Coloca-se antes, por escrito, ao mesmo tempo que o orçamento. Colocá-la custa algumas linhas escritas; descobri-la depois custa bem mais.

§ 03

O que um documento de garantia deve dizer

Por quanto tempo vale e a partir de que data se conta. Sobre que componentes. O objeto da cobertura, a peça, o trabalho, ou ambos, e a lista do que dela está excluído. Que obrigações ficam do lado do doente, consultas de manutenção e higiene incluídas, e o que acontece se não forem cumpridas.

O documento deve dizer também quem o assina e a que título, e um exemplar deve ficar com o doente, assinado e datado. Um compromisso que só vive em mensagens trocadas na altura de marcar a data defende-se mal anos mais tarde.

A leitura útil não é a do número de anos: é a da lista de exclusões. É aí que se vê o que está realmente coberto. E, como no resto, o que vale para o caso de quem lê depende de avaliação e diagnóstico individual prévios.

§ 04

O que uma garantia nunca é

Uma garantia nunca promete que o tratamento correrá bem. Compromete sobre o que se passa em circunstâncias que o próprio documento delimita. Nenhuma clínica pode assegurar um desfecho clínico, e quem o escrevesse comprometia-se com o que não domina.

Uma garantia apresentada como se cobrisse o que o tratamento produz é, em publicidade de saúde, precisamente o que não pode ser dito. Vale a pena ler com este filtro tudo o que for prometido antes de haver um diagnóstico.

§ 05

Perguntas frequentes

Vinte anos é o prazo da garantia?

Não. Vinte anos corresponde à durabilidade prevista anunciada para os implantes, sujeita a avaliação e diagnóstico individual prévios. O prazo de garantia, esse, é contratual e deve constar do documento entregue pela clínica.

A garantia do fabricante chega?

Incide sobre a peça, nas condições fixadas pelo fabricante, e identifica-se por sistema e por referência. O trabalho executado é outro assunto e outro documento.

E a viagem, se for preciso voltar ao Porto?

É a questão a fazer decidir por escrito antes da cirurgia. Nenhuma fonte publicada diz o que está previsto neste ponto, e esta página nada inventa: diz apenas que a resposta deve constar do documento, e não de uma lembrança de conversa.

Quando se pede o documento?

No momento do orçamento detalhado, ou seja, antes da cirurgia. Terminado o tratamento, o que não ficou no papel já não ficará.